Teresa Santos

Intersecções

/

Texto escrito durante o processo de criação de Fase dispersa de Teresa Santos e publicado na YANA Magazine.

Uma bola pode ser muitas coisas, mas nunca um objecto cortante. É afável. Tem forma. É estável. É completa. Não tem início nem fim. Dura. Está repleta de algo. Faz-se ouvir. Molda o corpo e provoca movimento. Encaixa na palma da mão. Às vezes cola. É fiável. Sabe o caminho. Respeita trajectórias e age segundo as leis da gravidade. Cai. Roda sobre si mesma. Rasga o ar. Suspende. Pára no tempo. Tem um passado. Parece que sorri. Acompanha e é acompanhada. Ocupa espaço. Visita lugares e gente. Percorre o corpo. Tem cheiro. Está suja. A sua sombra tem contornos redondos. Não tem luz própria. Não se vê no escuro (ou vê-se?). Perde-se. Pode ser uma armadilha. Desafia. É jogo. Enche. Apetece. É sensível. Escuta. Espera. Afasta a solidão. Uma bola não é apenas uma bola. É um corpo. É matéria. É um universo. É palpável. Tem cor. Não está ao serviço de nada. Aceita. Confia. É livre. É vulnerabilidade e poder ao mesmo tempo. É um espelho. Uma bola é pura filosofia para mim. É amor. É alquimia. É utopia. Uma bola pode ser uma explosão de alegria a preto e branco.

Teresa Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.