La poma, un poema sense “e”

Em 2013, por influência do Dídac Gilabert, a Nina de Miraguano da Orchestra Fireluche & Pau Riba acompanhou-me no processo de criação do espectáculo uma forma quase cilíndrica.

Em 2016, fotografei o Pau Riba em Cadaqués. Descalço, com a guitarra, o mestre das palavras cativou-me os sentidos já despertos, em parte, pela paisagem. Ouro sobre azul.

Em 2017, fotografei novamente o Pau com o filho, Llull, em Les Borges Blanques. Música e poesia, actualidade e subtileza. Estavam ali, cada um para o seu instrumento e um para o outro, cúmplices e livres, apaixonados pela sua arte. O Pau começou o concerto deambulando pela sala (descalço, sempre), cantando com a sua guitarra a olhar-nos nos olhos perto, muito perto, como que querendo receber no seu mundo cada um de nós. Acabámos todos numa dança a bater com os pés no chão, exorcizando os demónios da terra, os nossos próprios demónios. Senti que a minha consciência se começava a alterar pelos pés e estava preparada para ficar assim até o sol nascer, mas sabia que não seria assim, o final estava para breve.

Nunca mais o vi, mas ouvi e acompanharam-me as suas palavras. Esta herança é mais do que suficiente para que me sinta grata pela sua visita a esta Terra.

Teresa Santos
Teresa Santos