Sons, passos e esperanças

Caminha com passo firme e tranquilo, passo típico dos dias de sol, até parar no destino próximo. Enquanto se prepara ouve aproximarem-se passos pesados de uma quantidade indecifrável de pés. O ruído aumenta e enrola-se nas suas próprias entranhas até se tornar numa massa sonora difusa. A visão desobstrui-se: são quatro. Talvez fiquem, pensa, e sejam eles os que observam. Não. De passagem, seguem velozes como o vento que teima em dançar as folhas. Vê-os passar, joviais, ele de trotineta e ela agarrada à sua roupa, esganada, rindo e gritando ao mesmo tempo “mais rápido! mais rápido!”, enquanto trota a passo de gazela descompassado. Completam a trajectória curva até voltar a encarar o ponto de partida, sem parar nem largar, frenesim partilhado. À medida que se afastam, repara como a música que sai do sistema de som é envolvida pelo suspiro das árvores.
Do lado oposto, um novo personagem caminha rectilíneo na mesma direcção do ciclone, com as mãos e a cabeça atadas na camisola. Todo ele constrito em si mesmo, sem cor aparentemente visível. Quase avança, zelando a cada passo o chão que pisa.
Observa como, passo a passo, estes mundos convergem para um universo onde se podem encontrar, onde ainda não é tarde demais. A escola é intrinsecamente um lugar de esperança. Com este pensamento a pairar ao som de uma música sem ritmo, começa.

Teresa Santos