Cordel

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Dizer a alguém: coloca o diábolo no chão, fá-lo girar dum lado até ao outro, assim que ele passa à tua frente levanta-o e faz um movimento assim, pequeno e rápido, para cima e para baixo, com a tua mão dominante, apenas a tua mão dominante (a outra está presente sem força), é como uma lengalenga que ecoa involuntariamente na cabeça, sem que, muitas vezes, assalte a consciência a relevância que pode adquirir este conjunto de gestos simples. Se os princípios mais básicos do diábolo podem influenciar o rumo duma vida, imagino o que podem fazer umas palavras certas num momento certo. Talvez haja algo de profundamente poético em ambos. Talvez estes mundos se toquem. Concepção, direcção, interpretação, som, textos e fotografia de Teresa Santos, técnica de Dídac Gilabert e produção Grito imagens.

Apresentação do processo no Acus 19.10 de Hilo de Diabolo na Fàbrica de Somnis em Vic.

Teresa Santos
Teresa Santos

Poemas de Verão

Verão
No verão, o corpo conhece a pausa. Pausa.

Fogos de segunda
Abro a janela nesta noite quente. Uma parafernália de luz e som instala-se neste quadro. Estás deitado na cama e tens sono, por isso não vês. Perguntas-me se é bonito. Não sei, está a acontecer atrás das árvores. O calor adiou o fogo. Até uma segunda pode ser dia de fogos. Há coisas que não se podem adiar. Um. Dois. Três. Silêncio e respiração pesada.

Sedução
Todas as capas exteriores tentam seduzir-te, comprar-te, convencer-te, provocar-te, entusiasmar-te, controlar-te, consumir-te, invadir-te, alienar-te, até, por fim, vencer-te.

Hoje por hoje
Atravessam-se no caminho ondas douradas povoadas por sóis reverentes. Rolam pelo asfalto quente e infinito, brisas velozes em direcção ao seu destino. Micro universos plasmados neste deserto peninsular, são oásis de cor e vida. Escoam vales secos por entre gigantes quase verdes. O tempo arrasta-se ao ritmo de um corpo cansado. Hoje por hoje percorremos o nosso caminho, juntos. Os saramagos ficam para trás e deixam saudade de coisas tão familiares quanto desconhecidas. Lugares recônditos derretem e esmorecem, frondosos, dentro do peito latente. Chegamos?

Janela
Há uma janela aberta que não fecha. Uma brisa que perturba uma vista que não acaba. Mais além, no infinito, o sonho tangível sujeita-se à impermanência dos dias e das noites. O tempo passa, absorvido na ilusão de ser. O querer desvanece e há uma janela que se fecha.

Teresa Santos