Diálogos surrealistas

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—Já lhes disse que não era para matar aquela galinha —diz ela observando os dois cães que repousam numa sombra fresca— disse-lhes que quando ela morresse eu a enterrava, que não era para tocar nela. Eu disse. Ela é pequenina e põe 5 ovos. 5 ovos por mês não é muito. Porque ela é assim, pequenina. Dos 5 ovos nascem 5 pintainhos. Ao fim de umas semanas eles têm que fugir dela porque ela vai atrás deles penicá-los. Ri e observa o lago.
—Já disse para tirarem aquelas ervas ali do lago, tomam conta da terra. Começa-se pelas grandes e depois as pequeninas. Aquilo é gente a demolhar. Anda, vai, vai dar comida aos porcos. Espera, vou contigo, estou sozinha.
Não sei o que dizer. Digo uma malandrice, e um sorriso. Observo. Vejo o cenário com o olhar dela, espero. Junto a todo este verde, adiciono um pano branco, triste, e ao lado dos cães junto uma galinha e uns humanos a demolhar.

Teresa Santos