Fase dispersa

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No contexto deste projecto entendo por fase dispersa o objecto que está em relação com o corpo e que provoca o movimento. A manipulação de objectos aparece como extensão do próprio corpo e suas inquietações, colocando-o num estado ou qualidade de consciência. A dança aparece como vestígio num corpo enraizado. Até que ponto estas linguagens se complementam ou anulam? Qual o seu potencial e significação? Concepção, direcção, texto, voz e interpretação de Teresa Santos, música original de Dídac Gilabert, desenho de luz de Dídac Gilabert e Teresa Santos, fotografia de Nuno Leites e vintiset.net e produção Grito imagens.

Apresentações: Cabaret de Circo da ESMAE, Trengo Festival de Circo do Porto, Mostra Estufa da Companhia Erva Daninha e Circo na Rúa em Santiago de Compostela.

Nuno Leites
vintiset.net

O vazio do observador
É na escura iluminação de uma ponte fechada para obras, que me dou conta do vazio. Do espaço antes ocupado por ambos os tabuleiros, resta um nada habitado apenas por ar. Onde antes havia um espaço de encosto e encontro, agora existe uma verticalidade que, no seu paralelismo perfeito, afasta qualquer possibilidade de toque e de murmúrios cúmplices. Resta um grito no vazio que se perde na indiferença do ar que apenas separa. Até que alguém a arranje ou a gravidade dite as suas regras, já que, por ela, a ponte nada pode fazer, a não ser esperar.

Teresa Santos