Arquivo: Órgão de Grafia

Invisível, o manto cai nas horas e, tropeçando, tentamos erguer na sua dignidade o caminho turvo. As horas também caem, extraordinárias, com aroma a excepção, lentidão e dever. Companheiras do isolamento, são horas que nos arrastam inevitavelmente no destino de…

Uma mão e a outra tocam-se. Uma não vive sem reconhecer a outra. Há cumplicidade neste gesto. Envolvem-se e dedicam-se o seu tempo em movimentos coreográficos. Proteger uma parte para proteger o todo. A consciência do que implica este gesto…

Há dias que não acabam, há dias em que o sono não vem. Há dias que se difuminam lentamente noutros dias e os sonhos são roubados. Há semanas que são dias, baralhando o calendário da razão humana. E quando finalmente…

Daqui a nada Vai escurecer, Vai parecer Que desabou O tecto do mundo… E nada posso fazer. No silêncio Da espera, Toma a minha mão. É tua até ao fim. É tua. Outra estrela brilhará, Há outro mundo Para sonhar,…

A lua pegou fogo esta noite. Tem luz própria e ilumina causas perdidas. Hoje não é deusa nem satélite, nem velha, nem jovem. Cansada de mostrar a mesma face de sempre, despe-se para quem a queira ver inteira. Poema para…

Imagem da primeira edição em catalão dos folhetos Poemas de Verão, da colecção Poemas de estação, para a performance Cordel de Teresa Santos / Poeta de Gandia.

As palavras não são definitivas: o seu significado, a sua grafia ou a sua composição. Uma palavra maiúscula pode, num repente, perder importância e tornar-se minúscula. Se é que existe hierarquia nas palavras… As palavras não se deveriam ler ou…

Um barco no fundo do mar é sempre um desastre, nenhum barco nasceu para afundar. No entanto, ao ser atravessado pelo tempo, há nele uma beleza que advém da catástrofe. O tempo muda o olhar das coisas.

Há uma janela aberta que não fecha. Uma brisa que desassossega a vista que não acaba. Além, no infinito, o sonho tangível sujeita-se à impermanência dos dias e das noites. O tempo passa, absorto na ilusão de o ser. O…

De dia para dia vejo crescer a minha mão e as células que se multiplicam nesta ode ao triunfo da vida. De dia para dia vejo crescer o meu pé e os caminhos que antes percorria têm agora que esperar….

Palavra quente com cheiro e ligeiro peso nos braços. Unha e carne contra o precipício da separação. Vigília e esperança num recanto próximo e seguro.

Cada passo como um caminho fractal que se desenrola no deserto debaixo dos pés. Pouco a pouco. Um diamante não passa de um mecanismo de sobrevivência. Ontem são milhares de anos. Espero por ti junto de uma pedra redonda. Pergunto-me…

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