O calor na bagageira

Trouxe o calor na bagageira. Ela não queria mas não pôde evitar. Como poderia evitar algo que desconhecia? Não que desconhecesse o calor, simplesmente não sabia que o transportava consigo. 4 graus ainda são alguns graus… Teria havido forma de sentir o seu peso? E se tivesse que escolher entre abandonar a sua mala ou ficar em terra com ela? Nos tempos que correm, viajar com 4 graus, levando-os para onde se vai, não está bem visto não… Os tempos correm mas as pessoas vão devagar. E com este calor ainda mais. Se soubesse talvez o tivesse libertado aos poucos, distribuindo doses de calor tão infinitamente pequenas, que não se chegasse a notar verdadeiramente em parte alguma. Talvez para isso tivesse que fazer uma viagem mais longa, ou então aprender a estar com a sua mala em diferentes sítios ao mesmo tempo.
Ai!, quantas formas de ser, de estar, de viver. Quanta estranheza, quanto peso. Só os graus é que não pesam! Tivesse sabido… Custa-lhe respirar por baixo da camada que a asfixia. Anseia, enfim, mais do que a felicidade, a dita liberdade.

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