Arquivo: Órgão de Grafia

#prólogo Eu tive a grande sorte de conhecer o Sr. Roque. #introdução Armando Roque não era, de todo, um homem comum. Nas algibeiras trazia espanto e admiração pelas coisas do mundo – qualidades que partilhava com cientistas e poetas, entre…

No final da festa, a meditação consiste em limpar as bocas dos copos embriagados e reveladores, servidos à refeição. Para a sujidade mais incrustada usam-se as unhas e, às vezes, o perdão…

Certo dia perguntaram-me o que era para mim existir. Eu respondi: não sei, é bom, andar no mundo… Hoje, nos meus noventa anos, penso que existir é também sentir o mundo a andar em nós.

Atravessam-se no caminho ondas douradas povoadas por sóis reverentes. Rolam pelo asfalto quente e infinito, brisas velozes em direcção ao seu destino. Micro universos plasmados neste deserto peninsular, são oásis de cor e vida. Escoam vales secos por entre gigantes…

Havia um lago tão incrivelmente pequeno que nunca ninguém o vira. Ponderava-se até que nunca tivesse existido.

Em que pensas quando o teu corpo paira livre no ar que abraça e estilhaça ao ponto de não saberes quanta parte é respiração e quanta é vento?

Abro a janela nesta noite quente. Uma parafernália de luz e som instala-se neste quadro. Estás deitado na cama e tens sono, por isso não vês. Perguntas-me se é bonito. Não sei, está a acontecer mesmo atrás das árvores. O…

Uma bola pode ser muitas coisas, mas nunca um objecto cortante. É afável. Tem forma. É estável. É completa. Não tem início nem fim. Dura. Está repleta de algo. Faz-se ouvir. Molda o corpo e provoca movimento. Encaixa na palma…

É na escura iluminação de uma ponte fechada para obras, que me dou conta do vazio. Do espaço antes ocupado por ambos os tabuleiros, resta um nada habitado apenas por ar. Onde antes havia um espaço de encosto e encontro,…

– Eu disse-lhes que não era para matar aquela galinha – diz ela observando os dois cães que repousam numa sombra fresca – disse-lhes que quando ela morresse eu a enterrava, que não era para tocar nela. Eu disse. Ela…

Todas as capas exteriores tentam seduzir-te, comprar-te, convencer-te, provocar-te, entusiasmar-te, controlar-te, consumir-te, invadir-te, alienar-te, até, por fim, vencer-te. in Cordel de Poeta de Gandia

Com o teu corpo encostado ao meu, aguento-te, para que não se desmorone o teu mundo ao meus pés, nesta valsa lenta.

Quem é aquela à minha frente? Pode ver-me? Se sim, o que acontece? Pode ela ser ou estar no meu futuro? A que distância é o futuro? Alguma vez mudarei? Por que deveria desejar uma outra versão de mim no…

Ondas de espaço frio batem na minha solidão, procurando pela minha liberdade, o meu silêncio. Milhões de olhos do corpo mudam de foco e as fronteiras do mundo começam a dissolver-se, permitindo ver e encontrar lugares além da pele. Quantos…

Não saber, não querer, continuar em terreno líquido. A eternidade repousa dentro, velha e nova ao mesmo tempo. Um processo de transformação física intensa ocorre. Vazio é cheio. Esta morte lenta está a empurrar-me para a vida. (Sobre a participação…

Chegamos e tu estás lá de pé, a pertencer. Encontramos os nossos lugares. Estive aqui muitas vezes antes e hoje é diferente. Continuas em movimento, parecendo frágil e forte, como s fosse a atmosfera que crias com a tua presença…

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