Uma bola

Uma bola pode ser muitas coisas, mas nunca um objecto cortante. É afável. Tem forma. É estável. É completa. Não tem início nem fim. Dura. Está repleta de algo. Faz-se ouvir. Molda o corpo e provoca movimento. Encaixa na palma da mão. Às vezes cola. É fiável. Sabe o caminho. Respeita trajectórias e age segundo as leis da gravidade. Cai. Roda sobre si mesma. Rasga o ar. Suspende. Pára no tempo. Tem um passado. Parece que sorri. Acompanha e é acompanhada. Ocupa espaço. Visita lugares e gente. Percorre o corpo. Tem cheiro. Está suja. A sua sombra tem contornos redondos. Não tem luz própria. Não se vê no escuro. Perde-se. Pode ser uma armadilha. Desafia. É jogo. Enche. Apetece. É sensível. Escuta. Espera. Afasta a solidão. Uma bola não é apenas uma bola. É um corpo. É matéria. É um universo. É palpável. Tem cor. Não está ao serviço de nada. Aceita. Confia. É livre. É vulnerabilidade e poder ao mesmo tempo. É um espelho. Uma bola é pura filosofia para mim. É amor. É alquimia. É utopia.

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