vidAMORte

Chegamos e tu estás lá de pé, a pertencer.
Encontramos os nossos lugares. Estive aqui muitas vezes antes e hoje é diferente. Continuas em movimento, parecendo frágil e forte, como s fosse a atmosfera que crias com a tua presença que suporta o teu corpo. Permito-me ser parte. Assisto cada movimento que parte de dentro e apercebo-me que isto também é sobre mim, de alguma forma estamos todos juntos nesta experiência.

Estou de pé aguentado pelo vento, os ventos que sopraram, os que ainda soprarão e o silêncio entre eles.
Este lugar fala comigo e através de mim.
Estas paredes velhas vigiam as minhas costas e secretamente, num sussurro silencioso, dizem-me para continuar.
Piso muito gentilmente cada passo do caminho, não quero deixar traços visíveis da minha presença física. Os meus pés estão receptivos e meu corpo está a abrir-se. Sou o pôr do sol e em breve serei luz. Agora. Uma parte de mim acaba de morrer e o universo inteiro vive em mim. A minha história pessoal está a gritar neste corpo ao mesmo tempo que desaparece. Não há fronteiras entre mim e o mundo: pele, coração e espírito estão a derreter, amando e abraçando. Desejo… Só eu a desejar ou a Humanidade na presença destes irmãos e irmãs que me rodeiam? Merci.

(Sobre a performance in situ vidA MORte de Jean Daniel Fricker em Castro de São Paio. Nota: originalmente escrito em inglês)

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